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Monthly Archives: Abril 2009

architecture-03

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

 

David Mourão Ferreira,  E por vezes

 

Foto: Andrea Sousa, sem título

15-02-06: O jornal “24 Horas” foi alvo de buscas por parte das autoridades judiciais, esta quarta-feira.

26-03-07: Salazar vence concurso “Os Grandes Portugueses”.

21-05-07: Um professor de Inglês, que trabalhava há quase 20 anos na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), foi suspenso de funções por ter feito um comentário que a directora regional, Margarida Moreira, apelida de insulto à licenciatura de José Sócrates.

21-06-07: O primeiro-ministro apresentou uma queixa-crime contra o blogger António Balbino Caldeira por causa de vários escritos sobre a sua licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente (UnI).

28-06-07: A directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, foi exonerada pelo ministro da Saúde por não ter retirado do centro um cartaz que apresentava declarações de Correia de Campos “em termos jocosos”.

28-10-08: O líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, exigiu hoje ao primeiro-ministro, o esclarecimento do telefonema que fez ao director do Diário Económico após a publicação da notícia sobre a alteração à Lei de Financiamento dos Partidos. Para o líder do PSD o acto de José Sócrates é “uma tentativa de intimidação”.

19-02-09: Ministério Público proíbe sátira ao Magalhães no Carnaval de Torres Vedras.

23-02-09: A PSP de Braga apreendeu hoje numa feira de livros de saldo alguns exemplares de um livro sobre pintura. A polícia considerou que o quadro do pintor Gustave Courbet, reproduzido nas capas dos exemplares, era pornográfico, adiantou uma fonte da empresa livreira.

 Saudosamente lembrado aqui.

 

Naquele país já não há revolução, só ódio. – Jorge de Sena, 1974

 

pequenos prazeres: colocar os livros de Sylvia Plath em cima dos de Ted Hughes.

Há certos filmes que vimos no cinema, compramos o dvd quando este sai, e mesmo assim ficamos em casa a ver quando dão pela primeira vez na televisão. Confesso que não me lembrava do último filme que me tinha feito realizar tal ritual, contundo ontem Control do holandês Anton Corbijn foi motivo suficiente. Sendo fã de Joy Division, poderá ser um pouco suspeito a minha devoção a um filme que relata os últimos anos da curta vida do seu vocalista, Ian Curtis. Este não é um filme sobre os Joy Division, não deixando de o ser ao mesmo tempo. Este é um filme sobre o mito de Ian Curtis, que vive sem os Joy Division, se bem que o contrário não acontecerá, com o devido respeito aos Senhores Bernard Summer, Peter Hook e Stephen Morris. Mas a verdade é que a banda terminou naquele instante em que a corda cortou a respiração de Curtis.

Como matéria prima, Corbijn fez-se acompanhar da biografia escrita pela viúva Deborah Curtis, Touching from a Distance (publicado entre nós pela Assírio & Alvim, com o título Carícias Distantes). Felizmente, conseguiu afastar-se dessa mesma biografia e introduzir alguns factos dados por mais amigos e companheiros que viveram perto de Ian Curtis. Felizmente porque a biografia de Deborah Curtis é bastante enfadonha, num constante “ele era uma besta mas eu amava-o por ser diferente”. Já a tendo lido há alguns anos, hoje decidi pegar-lhe novamente e apenas reforcei essa ideia já presente. Se o homem era uma besta ou não interessa-me muito pouco.

O filme de Corbijn aposta mais na criatividade e na tragédia, no lado mais romântico(no seu sentido literário e não de comédia com a Meg Ryan) e mítico que se foi construindo em volta da figura de Curtis. Terá certamente outro sabor a quem conheça bem a sua obra assistir a este filme e, verdade ou ficção, a construção em volta dessa mesma obra consegue ser credível e manter em bom ritmo a trama. O trabalho fotográfico é magnífico, transportando o espectador para mais próximo do tempo e do espaço, colocando-o em Manchester, finais dos anos 70. Os planos em volta de Curtis são memoráveis e nesse aspecto valeu muito o facto de Corbijn ser sobretudo conhecido pelo seu trabalho enquanto fotógrafo.

Dos actores, destaque evidente para Sam Riley, mais do que fisicamente parecido, é estrondoso no olhar distante e perdido que se pretendia transpor. Já Samantha Morton deixa-me algo desiludido, sabendo perfeitamente que a personagem de Deborah Curtis poderia ser muito melhor explorada. Parece que houve alguma contenção. Já Alexandra Maria Lara bastava-lhe aparecer para nos fazer recordar a sua presença, contudo está em bom nível como Annik, a suposta amante de Ian (e que eu continuo a acreditar sendo a destinatária de Love Will Tear Us Apart apesar de no filme, e na biografia, não ser essa a ideia que nos dão).

Não darei polegares para cima, nem estrelas, nem escalas de 0 a 10, mas creio estar seguro de dizer que Control é um filme para se ver com atenção e prazer, que ultrapassa em muito certas biopics que se vão fazendo. Para muito mais que apenas fãs de Joy Division.

 

 

Nota: logo de seguida deu Last Days de Gus Van Sant, cujos primeiros dez minutos me embalaram para uma bela noite de sono. Da primeira vez ainda consegui aguentar creio que meia hora. Muita desta aversão poderá ser explicada no post 41.

“As elevadas taxas de mortalidade infantil, em inícios do presente século, sugeriram o abandono do biberão a favor da consagrada teta materna. Não quer isto dizer que a teta —como meio de alimentação, bem entendido— não tenha tido sempre os seus acérrimos defensores, mesmo nas homilias.”

e

“O que surgiu como novidade foi o facto de a defesa da teta e da «mamada» passar a ser apreendida a partir não apenas de uma retórica assente no «naturalismo», mas também da evidência estatística de que a ausência de «mamadas» regulares poderia ter efeitos sobre a mortalidade infantil.”

José Machado Pais, A construção sociológica da juventude – alguns contributos, in Análise Social, vol. XXV (105-106), 1990 (1.°, 2.°), 139-165

 

cortesia muito infernal do f.

93_94_benfica_93_94

When Vasco da Gama captained Benfica,

those were the glory days. Vasco led

from the back, with Nick Coelho as keeper,

and his brother Paulo as inside-forward,

 

and Leonard Ribeira, an old fashioned winger

(except when eyeing the girls in the crowd),

and the spinter Fernão Veloso as striker,

with Diogo and Álvaro, all proud to wear red.

 

Those were the times of adventures and clout,

with Dom Manoel our manager-trainer

and Peru de Covilhã our roving scout.

 

Today we´re trophy less, bankrupt and disdainerd,

longing for Sebastian, cresting some tidal wave

on his surf-board, to alight in the Algarve.

 

Landeg White, Fado

 

Foto: quando ainda se jogava futebol.

Then that Cobain pussy had to come around & ruin it all.

in The Wrestler

 

Já dizia o outro, o mito é o nada que é tudo.

alexandra maria lara

Someone take these dreams away,
That point me to another day,
A duel of personalities,
That stretch all true realities.

That keep calling me,
They keep calling me,
Keep on calling me,
They keep calling me.

Ian Curtis, Dead Souls

 

Foto: Alexandra Maria Lara

és um abraço temporal que pára o universo
sempre que me rondas e que me dizes silêncios
em forma de amor

 

transformas o dia em noite só para que saiba
melhor este nosso coração partilhado e que
afinal é apenas um

improvisas e povoas os meus dias com poemas
que nunca seriam tão verdade se não tivessem
nascido de ti

se alguém me perguntasse o segredo de tudo isto
convidá-la-ia para viver connosco
durante toda a vida
só assim teria a resposta que (nos) merece

são os teus braços entrelaçados nos meus
que me fazem crer que a mobília do quarto
também nos espera, nos anseia depois
do cansaço das horas

sempre que me vejo ao espelho reconheço
as tuas mãos a tactearem-me o pescoço
como aquela primeira viagem pelo
desconhecido e permaneço com os olhos
fechados esperando que assim que os abra
tu apareças

e se te disser que apareces, que te
transportas de onde estás e que vens
ter comigo sempre que fecho os olhos,
sei que acreditarias mas não to conto

nunca precisarei de desvendar os
segredos que me ofereceste

 

 

Maria Rocha, Poema I

 

 

e como hoje estou muito Pearl Jam, partilho a banda sonora com a minha amiga Maria