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Monthly Archives: Novembro 2009

Ao cuidado do Hugo, que substitua apenas a palavra blues por poetry. Tens o mote e sabes que algumas criaturas assim o merecem.

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Na primeira, e única, crónica que publiquei, na webzine Serpente, decidi dar como tema o que me desagradava, e ainda desagrada, no mundo literário. Uma postura, uma falta de honestidade, um querer ser. Não se pode querer ser, ou se é, ou não se é. Tal como não há talentos puros, há sempre muito trabalho por trás. Mas existe algo. Vocação, jeito, o que lhe quiserem chamar. Quando publiquei Parabola Abyssus, acreditava no que estava a fazer. Desde então, Maio de 2007, não voltei a publicar, tirando um conto na Callema e outros dois na Entre o Vivo, o não vivo e o morto, casas que conheço muito bem. E durante todo este tempo muito me perturbou o não estar a conseguir escrever, e quando o fazia, não acreditava no que estava a fazer. Falta de jeito, conclui. Hoje, relendo essa crónica que evoquei, percebo que não podia ter sido mais honesto comigo próprio. Ou se é, ou não se é, e se não tiver de ser, paciência. Nunca irei forçar nada. Há bons jovens poetas, que precisam de bons jovens críticos que os leiam e se soltem das amarras pessoais, das invejas. Como falava outro dia com o J., há uma cadeia que impede pessoas de gostarem do que outras fazem. Isso não é literatura, isso é outra coisa. Como não ler um livro e dizer que ele é o primeiro grande romance do nosso século. Está ao mesmo nível. Este desabafo todo não serve para justificar o meu silêncio, a quem aqui vem e volta. Serve sobretudo para dizer que ainda acredito na possibilidade de se ser, apenas por se ser. Sem querer ser, sem parecer ser, sem fazer por ser. Haverá algo mais honesto?