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Monthly Archives: Fevereiro 2009

alguém chegou aqui procurando “fotos sensuais de rachel weisz

 

obrigado pela visita e aqui fica mais uma só para si.

rachel-weisz

“Mas não devemos esquecer que esta foi a mesma Academia que nunca deu um Oscar a Nicholas Ray e Stanley Kubrick (apenas o recebeu por efeitos especiais); que nunca considerou Hitchcock como melhor realizador; que demoraria uma carreira inteira a dar esse estatuto a Martin Scorsese, com um filme que, sendo bom, está longe de ser um dos seus melhores; e que teve de compensar os seus “lapsos” com prémios honorários a gente “menor” como Chaplin, Greta Garbo, Cary Grant, Ennio Morricone, Orson Welles, Jean Renoir, Akira Kurosawa, Federico Fellini, Michelangelo Antonioni e Sidney Lumet.” in Arrastao.org .

 

Retiro estas palavras do seu contexto inicial para completarem e finalizarem tudo aquilo que tenho vindo a dizer. Sem esquecer – que me tinha esquecido- que na academia estão muitos actores, realizadores e produtores por quem Mickey Rourke está queimado. Sim, ainda estou a pensar nisso. Termina agora.

Este fim de semana correu mal. Perdeu o Benfica e o Mickey Rourke. E por muito que me custe dizer isto, acho que em Los Angeles a injustiça foi maior que em Alvalade. Contudo, e numa lógica confusa, continuo a achar que o Benfica é melhor que o Sporting e o Sean Penn melhor actor que Mickey Rourke. Mas tal como o Benfica precisava desta vitória para conseguir endireitar-se rumo ao título, também Rourke precisava deste prémio para finalmente endireitar a sua carreira. E se no post anterior falava que realmente não se deve premiar o melhor actor, mas sim o melhor desempenho, percebo a dificuldade entre Sean Penn e Mickey Rourke, de longe os mais marcantes deste ano. Todavia, ainda sou muito levado por uma certa justiça poética, e em caso de empate, daria a quem tenho quase a certeza não voltar a ter uma oportunidade como esta. Espero bem estar enganado, neste caso. Quanto a Penn, confesso ter ficado muito agradavelmente surpreendido pelo seu discurso. Sempre achei ter tanto de bom actor como de intragável, mas surgiu-nos de forma muito humilde, e rendi-me quando diz “Mickey Rourke rises again, and he is my brother!”. Não lhe tiro o mérito, que o tem e muito, mas aposto que a academia não quis arriscar que Rourke subisse ao palco e dissesse meia dúzia de caralhadas. Não há justiça poética em tempos de crise.

Como disse Bukowski, que tão bem Rourke retratou em Barfly: “Boring damned people. All over the earth. Propagating more boring damned people. What a horror show. The earth swarmed with them.”

A poucas horas da cerimónia dos Oscares, leio e vejo em alguns programas de antevisão os habituais prognósticos sempre com tanta certeza. Confesso que este ano concordo com a maioria dos especialistas e as suas aposta, menos naquela que à partida me pareceria mais óbvia:  aparentemente é unânime que Heath Ledger não deveria ganhar o Oscar de melhor actor secundário. Não é que ache ter sido um actor fenomenal, que não foi –  apesar de bons desempenhos em Monster´s Ball  e Brokeback Mountain – o seu papel em The Dark Knight é imaculado e sem dúvida um dos marcos recentes do cinema mais mainstream. Capaz de o desculpar por filmes como 10 things about you ou A Knight´s tale.

Quem viu o filme de Christopher Nolan sabe que se trata de uma actuação de um vida (no caso dele, tomando estas palavras um tom trágico), de uma interpretação impar de um dos mais complexos vilões da 9ª arte, e até de toda a literatura. Creio não ser exagerado dizer que ultrapassa a já muito boa faceta que Jack Nicholson havia dado no filme de Tim Burton, 20 anos antes. É um Joker psicótico, enigmático, mas sobretudo que personifica toda a metáfora do filme. Memorável quando Alfred diz a Bruce Wayne que “Some men just want to watch the world burn“, e em que finalmente percebemos a tagline Why so serious?, onde constatamos que nada está deixado ao acaso. Nesse sentido, muito pouco se pode apontar ao filme. O grande desafio era sem dúvida entrega toda a eficácia do filme a um só actor/personagem. E não será esse o intuito de premiar alguém enquanto actor, de reconher a excelência na representação de uma personagem que se difere e sobressai de todos os outros?

Não dever ser premiado por estar morto e sim premiar um dos vivos? Não me parece um argumento forte, na minha opinião. Não ganhando Ledger todos apontam para Robert Downey Jr., que me parece uma tremenda injustiça. Não obstante estar muito bem em Tropic Thunder e ser de louvar nomear um actor que representa um personagem satírico, em comparação com Ledger não tenho dúvidas que não estão ao mesmo nível. Não tendo visto ainda Doubt não me poderei pronunciar sobre as hípóteses de Seymour Hoffman, contudo não tenho dúvidas que será um grande papel já que se trata de um dos melhor actores no activo.

Que a academia e os seus falsos moralismos não atribuam o Oscar a Rourke já não me admiraria nada, mas não creio que tenham em conta o argumento do “está morto, logo não deve ganhar” para retirar o prémio a Heath Ledger. A única situação que me parece viável para tal não acontecer será se este prémio for para Seymour Hoffman, já que será o único que vejo capaz de suplantar a fantástica actuação do falecido australiano. Deixo aquela que, quando a mim, será uma das cenas que ficará imortalizada na história do cinema. Na minha, enquanto fã de cinema, ficou.

 

 

Já saiu o nº2 da Ezine Serpente, dirigida pelo meu caro amigo Aires Ferreira, que aqui coloca a generosa crítica que me fez a Parabola Abyssus. Para download, clicar aqui.

A voz de Heitor

 

no húmido alfabeto dos antípodas o desejo
escrevia-se com as letras do teu nome. agora
que partes num silêncio infinito foi-me
arterialmente arrancado da carne o sussurrar
sanguíneo dos mortos. tu que és mulher, és
minha carne, meu sexo, minha mãe e meu
fulminante respirar. temo o teu tempo que
tento terminar. vejo com olhos de cego
a última linguagem solar das palavras, a tua
figura fundida em gestos de som, o que oiço
é a música final dos nossos versos, e assim
terminam os nossos corpos com o sonho
do meu incêndio, da tua morte.

e Ahjtur, sábia nas lides da morte responde

sossega mulher, nesta caligrafia onde as nossas vozes
se confundem, nunca em tempo algum viveu alguém
mais do que aquilo que os deuses lhe concedem.

 

 

Poema que já data de 2007 mas que agora viu a luz do dia n´A Corneta do Diabo, folhetim que a Telemaquia mantém na Faculdade de Ciências Socias e Humanas de Lisboa. A eles, um abraço.

natalie-portmanIf only tonight we could sleep
In a bed made of flowers
If only tonight we could fall
In a deathless spell

The Cure, If Only Tonight We Could Sleep

 

Foto: Natalie Portman

E a banda sonora que se impõe:


Ao António, com silênciosas saudades

31

assim guardamos as nuvens breves os gestos
os invernos o repouso a sonolência
o vento
arrastando para longe as imagens difusas
daqueles que amámos mas não voltaram
a telefonar

Al Berto, Sida

 

Foto: Rui Alberto, -3

verdes-anos

Eu

que me comovo por tudo

e por nada

 

António Lobo Antunes, Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto

 

Foto: Sophia Pereira, Verdes Anos

ansel-adams2

Y allá lejos,
en las rocas que la marea descubre,
aguardarás caricias.

Para morir, las olas;
para el amor, la espuma.

 

José Pallarés Moreno, Cuadernos de Arena

 

Foto: Ansel Adams